crítica de costumes, Música, Natal

Papai Noel Rosa

papai noel rosaPostado originalmente em Dez. 2012

Não, o intuito deste post não é propor um novo bom velhinho com foco no mercado GLS, até porque o natal é uma festa cristã (apesar da indústria de bens de consumo ocuparem um espaço cada vez maior na festa), e oficialmente a igreja católica (e a maior parte das protestantes) ainda condena relacionamentos homossexuais.  Essa é uma briga que não quero comprar.

O “Papai Noel Rosa” seria uma alternativa tropical ao gorducho barbudão que vive na lapônia e a cada natal comete a proeza de entregar mais de 1 bilhão de presentes a crianças de todo o mundo (talvez um pouco menos, se descontarmos as que não se comportaram bem).  Acredito que nem a Fed Ex conseguiria tal proeza.

O Natal, do ponto de vista religioso, é a celebração do nascimento de Jesus, ao contrário da páscoa (que marca a morte), o natal promove a esperança, a união das famílias, há fartura, é uma época de celebração, não de reflexão.  Os não religiosos (ateus, agnósticos, etc) aproveitam a data da mesma forma: reúnem a família, preparam uma bela ceia e distribuem presentes.  O recém nascido Jesus, no entanto, que em teoria deveria ser a estrela da festa, acaba ofuscado por outro personagem, o Papai Noel.

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crítica de costumes, Natal, vida cotidiana

abaixo o gorro do Papai Noel

gorro papai noelPost publicado originalmente em Dez. 2012

O cidadão na foto ao lado foi preso durante um protesto contra o gorro do papai noel. Ele pertence à ONG “Gorrinho Nunca Mais”, uma organização que luta contra a opressão de empregadores que insistem em obrigar seus funcionários a usar roupas e adereços ridículos em datas comemorativas.

O militante preso ontem afirma que é necessário inserir direitos anti-mico na CLT, e que o ministério do trabalho deve fiscalizar de perto os abusos cometidos pelos empregadores:

No começo esta moda era exclusiva dos supermercados, depois vieram as lojas, as companhias aéreas, onde isso vai parar? Qualquer dia vou chegar doente em uma emergência de hospital e ser atendido por ou médico vestido com o gorrinho, “ho ho ho, feliz natal, aproveite porque esse pode ser seu último hein rapaz? Ho ho ho!!!”

A ONG propõe, entre outras coisas, que seja instituído na lei trabalhista o adicional de ridicularidade (assim como existem os adicionais de periculosidade e insalubridade), pelo menos desta forma o funcionário teria algum tipo de compensação pelo fato de se vestir como um palhaço durante seu expediente de trabalho. Já tramita no congresso um projeto de lei que prevê este benefício.

Existe, por outro lado, um forte lobby da indústria dos gorrinhos, que no ano passado faturou mais de 5 bilhões de reais. Representantes da indústria já estão pressionando parlamentares a votar contra a medida. É improvável que os deputados se comovam com o drama vivido pelos trabalhadores “engorrados”, uma vez que eles dificilmente trabalham em dezembro.