Novos Negócios, vida cotidiana

Liga pra Gente

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O grande sonho da minha vida é ser “pitaqueiro”. Por “pitaqueiro” entenda-se um consultor sem um pingo de responsabilidade sobre os resultados dos seus “pitacos”. Quero ser contratado por grandes empresas, ouvir dois dias de apresentações sobre um determinado problema e após isso emitir minha opinião:

  • Fechem a fábrica!

Nada do que eu dissesse seria contestado e todos me olhariam com respeito e admiração, aquele olhar de “nossa, ele é um gênio, como não pensamos nisso antes?”

Pois bem, já que por enquanto ainda não atingi este nível de respaldo no mundo empresarial posso dar minhas idéias fantásticas aqui mesmo neste blog. Aqueles que quiserem aproveitar e iniciar um empreendimento de sucesso vão em frente, concretizem a minha idéia e fiquem milionários, como agradecimento basta me pagar uma cerveja.

Tomem nota que lá vem a idéia:

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O “morto” no dominó pernambucano

branco e pio (1)O dominó está, para os nordestinos, assim como o truco está para os paulistas, é o jogo dos vigias, dos peões de obra, é sobre uma mesa de dominó que a noite se estende nos bares da periferia. É sobre uma mesa de dominó que aulas e aulas de faculdade são “gazeadas” sem a menor cerimônia.  As regras do jogo de dominó sofrem pequenas diferenças entre os estados do Nordeste, tive oportunidade de jogar umas partidinhas na Bahia e descobri que, assim como acontece no carnaval, Pernambuco e Bahia possuem divergências em relação ao dominó.


Sempre que se juntam pernambucanos e baianos em uma mesa de dominó, recomeça a polêmica. O baiano, assim como o pernambucano, nutre uma paixão pelo jogo das 28 pedras, porém, assim como em várias outras questões culturais, existem diferenças relevantes entre o dominó jogado nos dois estados. A discórdia já começa pela nomenclatura das peças e das jogadas: carroça é bucha, la e lô é lasquinê, e partida é peça, só pra dar alguns exemplos. Porém as diferenças não ficam por aí, a pontuação também é diferente, é 1, 2, peça, duas peças ganha o jogo. Tudo isso é administrável, abrimos mão de jogar na nossa pontuação mais simples de um a seis, aceitamos a nomenclatura estranha e até a contagem esquisita do placar imposta pelos baianos, o bicho pega mesmo é quando a regra em questão é o morto.

Devo dar o braço a torcer, o cara que inventou o dominó certamente não pensou no morto, fez o jogo para que todas as peças fossem utilizadas. O morto no dominó (aquelas quatro pecinhas que ficam de fora e que só retornam na mão seguinte) é mesmo invenção de pernambucano. O morto do dominó, ao contrário do morto do buraco, não é usado em momento algum, ele morre e permanece morto para todo o sempre. O único intuito daquelas quatro pedras é dar vez ao imponderável, é trazer o fator surpresa, é evitar que o dominó se torne uma ciência exata. No morto estão as incertezas. O dominó baiano é chato porque falta morto, contando as pedras se sabe tudo, se sabe demais.

Há controvérsias quanto ao surgimento do morto. A versão oficial conta que em 1917, numa tarde de sábado no bairro de Casa Amarela, não havia quorum suficiente para o jogo de duplas, e três jogadores sentaram-se para jogar individualmente, com 9 pedras para cada um, perfazendo um total de 27. Uma pedra sobrou, criando o primeiro morto da história. Lá pelas tantas seu Zé Carroça (octa-campeão da liga de Casa Amarela, e conhecido às do dominó na década de 10) já comemorava sua vitória, pois o jogador do lado teria que levantar seu pio. O jogo valia 3 contos de réis, e Zé Carroça precisava como nunca deste dinheiro para pagar os agiotas que não saíam do seu pé. Eis que isso não acontece, o jogador do lado toca, não levanta o pio, e o terceiro jogador (João Zabumba, o pior jogador do bairro, que levou este apelido pela freqüência com que tocava) bate e leva todo o dinheiro. O branco e pio, a peça que Zé Carroça esperava e que nunca veio, estava no morto, o morto havia trazido o imponderável, e Zé Carroça entrou pelo cano.

Zé Carroça suicidou-se horas depois. Os amigos que o viram ali deitado, todo de branco, com um cinto preto e um buraco de bala no meio do peito, afirmaram que ele parecia um “branco e pio”, a fatídica peça que lhe faltou na hora H. A ironia do destino fez com que o morto (seu Zé carroça) se parecesse ele mesmo com aquele morto (o branco e pio) que havia selado seu destino. Após este episódio o morto passou a ser tido como coisa do capeta, e jogar com morto passou a ser terminantemente proibido em todas as ligas da cidade. Como tudo o que era proibido, o jogo com morto ganhou força no submundo das ligas clandestinas, e o morto de quatro pedras passou a ser utilizado no jogo de duplas.

Alguns anos depois um fato inusitado trouxe o morto de volta à legalidade, quatro cavalheiros da alta sociedade pernambucana foram vistos jogando com morto nos salões de aristocrático clube da cidade, a notícia foi amplamente divulgada por um jornal local como um escândalo. O jornal concorrente, de propriedade de um dos cavalheiros em questão, correu para defender a honra do seu proprietário e lançou uma série de reportagens defendendo que a utilização do morto não era um desvio de conduta, e que até Jesus Cristo teria jogado umas partidinhas com morto junto aos seus apóstolos logo após a santa ceia (há uma teoria, inclusive, que afirma que Judas fez o que fez por ter levado uma “buchuda” naquela noite. Havia dito o Senhor: “apenas Deus e os perus sabem de tudo, aos jogadores restará a dúvida”.

A série de reportagens fez com que o morto passasse a ser aceito e adotado de vez pelas ligas da cidade, se tornando, junto com o frevo e o bolo de rolo, um dos símbolos da nossa cultura.


Pequeno glossário para não pernambucanos:


Nome dos números 0,1,2,3,4,5 e 6: Branco, Pio, Duque, Terno, Quadra, Quina e Sena

Carroça – Peça dupla (quadra e quadra, quina e quina, etc).

Gazear Aula – Matar Aula

Bater – ser o primeiro a livrar-se de todas as peças

Tocar – Não ter pedra pra jogar na sua vez, passando o jogo para o próximo jogador

Lá e Lô:  Quando se bate com uma pedra que serve nas duas “cabeças”

Buchuda: Vitória por 6 a 0

Bossa Nova, Música

Bossa Contemporânea

RL28FXPublicado originalmente em Dez. 2012

Nasci em 1978, 20 anos depois do lançamento do single “Chega de Saudade”, por João Gilberto.  O compacto marca o início de um novo gênero da música brasileira, a “bossa nova”.
A “bossa”, com seu jeito sutil e minimalista, um samba “sincopado”, cantado baixinho e abordando temas leves representava um pouquinho de Brasil.
Não um pouquinho qualquer, mas aquele pouquinho que canta e é feliz, mais especificamente Copacabana e Ipanema (na época, hoje o Leblon tomou o posto de bairro bossa nova, basta assistir qualquer novela de Manoel Carlos).
Esse pouquinho de Brasil, um tanto ou quanto elitista, é verdade, conquistou o mundo na década de 1960.  “Chega de Saudade” teve mais de 100 re-gravações por artistas nacionais e estrangeiros.  Garota de Ipanema foi gravada por expoentes da época na música internacional, como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald.

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ciências sociais, for dummies, Pensadores, Uncategorized

Economistas for Dummies

3 Economists

Por algum motivo que não me recordo agora, sou economista de formação, de forma que neste assunto posso me aprofundar um pouco mais, mas não muito. A intenção desse texto é permitir ao leitor entrar no mar de conhecimento dos grandes economistas só até enquanto dá pé.  Vamos ficar no raso mesmo… (ah, e vamos mais uma vez entender as influência desses caras na música popular, e dessa vez também no futebol).

Adam Smith – Sociólogo Escocês do século 18 – o cara do “deixa rolar que no final dá tudo certo”

Pregava, entre outras coisas que ao permitir que cada agente econômico (cada um de nós), agisse de forma “racional”, seguindo seus próprios interesses, teríamos um equilíbrio perfeito.

Existia, para Smith, uma “mão invisível” que unia o interesse de venda de um com o interesse de compra do outro.  A mão invisível era a principal responsável pelo equilíbrio na economia, onde o governo deveria se meter o mínimo possível.

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advertising, Creative thinking

being an amateur creative thinker, is it worth anything?

Originally Published in Dec. 2012

Last week my cousin, who lives in NYC and works in advertising, made a comment in my blog.  She said her agency was looking for creative thinkers who could translate social delusions in art form.  I was, of course, very proud of that, specially because it was very unexpected for me to hear that people like myself had any value at all on the advertising business.

I am now on a sabbatical, and I don’t really have a plan for that.  I am not planning on writing a book, on traveling around the world, or on visiting mystical places searching for a heal to the soul.  I am just permitting myself to do nothing, to be able to think about the last years of my life and try to understand what I want to do with the years that are to come.

Looking back I think I’ve always being creative, in the beginning it helped me, but I never really understood that as a vocation.  I was good in other things, which led me to a career path which sometimes judged my creativity as a liability, not as an asset.  I admire the “doers”, but found little space for the “thinkers” like myself (I ended up studying economics and worked 10 years on strategic planning for large industrial conglomerates, producers of commodities, not exactelly the kind of ambient in which a creative thinker would flourish).

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crítica de costumes, Música, Natal

Papai Noel Rosa

papai noel rosaPostado originalmente em Dez. 2012

Não, o intuito deste post não é propor um novo bom velhinho com foco no mercado GLS, até porque o natal é uma festa cristã (apesar da indústria de bens de consumo ocuparem um espaço cada vez maior na festa), e oficialmente a igreja católica (e a maior parte das protestantes) ainda condena relacionamentos homossexuais.  Essa é uma briga que não quero comprar.

O “Papai Noel Rosa” seria uma alternativa tropical ao gorducho barbudão que vive na lapônia e a cada natal comete a proeza de entregar mais de 1 bilhão de presentes a crianças de todo o mundo (talvez um pouco menos, se descontarmos as que não se comportaram bem).  Acredito que nem a Fed Ex conseguiria tal proeza.

O Natal, do ponto de vista religioso, é a celebração do nascimento de Jesus, ao contrário da páscoa (que marca a morte), o natal promove a esperança, a união das famílias, há fartura, é uma época de celebração, não de reflexão.  Os não religiosos (ateus, agnósticos, etc) aproveitam a data da mesma forma: reúnem a família, preparam uma bela ceia e distribuem presentes.  O recém nascido Jesus, no entanto, que em teoria deveria ser a estrela da festa, acaba ofuscado por outro personagem, o Papai Noel.

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crítica de costumes, Natal, vida cotidiana

abaixo o gorro do Papai Noel

gorro papai noelPost publicado originalmente em Dez. 2012

O cidadão na foto ao lado foi preso durante um protesto contra o gorro do papai noel. Ele pertence à ONG “Gorrinho Nunca Mais”, uma organização que luta contra a opressão de empregadores que insistem em obrigar seus funcionários a usar roupas e adereços ridículos em datas comemorativas.

O militante preso ontem afirma que é necessário inserir direitos anti-mico na CLT, e que o ministério do trabalho deve fiscalizar de perto os abusos cometidos pelos empregadores:

No começo esta moda era exclusiva dos supermercados, depois vieram as lojas, as companhias aéreas, onde isso vai parar? Qualquer dia vou chegar doente em uma emergência de hospital e ser atendido por ou médico vestido com o gorrinho, “ho ho ho, feliz natal, aproveite porque esse pode ser seu último hein rapaz? Ho ho ho!!!”

A ONG propõe, entre outras coisas, que seja instituído na lei trabalhista o adicional de ridicularidade (assim como existem os adicionais de periculosidade e insalubridade), pelo menos desta forma o funcionário teria algum tipo de compensação pelo fato de se vestir como um palhaço durante seu expediente de trabalho. Já tramita no congresso um projeto de lei que prevê este benefício.

Existe, por outro lado, um forte lobby da indústria dos gorrinhos, que no ano passado faturou mais de 5 bilhões de reais. Representantes da indústria já estão pressionando parlamentares a votar contra a medida. É improvável que os deputados se comovam com o drama vivido pelos trabalhadores “engorrados”, uma vez que eles dificilmente trabalham em dezembro.