Bossa Nova, Música

Bossa Contemporânea

RL28FXPublicado originalmente em Dez. 2012

Nasci em 1978, 20 anos depois do lançamento do single “Chega de Saudade”, por João Gilberto.  O compacto marca o início de um novo gênero da música brasileira, a “bossa nova”.
A “bossa”, com seu jeito sutil e minimalista, um samba “sincopado”, cantado baixinho e abordando temas leves representava um pouquinho de Brasil.
Não um pouquinho qualquer, mas aquele pouquinho que canta e é feliz, mais especificamente Copacabana e Ipanema (na época, hoje o Leblon tomou o posto de bairro bossa nova, basta assistir qualquer novela de Manoel Carlos).
Esse pouquinho de Brasil, um tanto ou quanto elitista, é verdade, conquistou o mundo na década de 1960.  “Chega de Saudade” teve mais de 100 re-gravações por artistas nacionais e estrangeiros.  Garota de Ipanema foi gravada por expoentes da época na música internacional, como Frank Sinatra e Ella Fitzgerald.


A música do Brasil ganhava o mundo (daquele pouquinho de Brasil já mencionado, é claro).  Desde então, nunca mais a música brasileira teria um peso tão grande no cenário global.
Mesmo não tendo acompanhado o movimento, sou fã de carteirinha da bossa, especialmente do João, que sempre que resolve “bossalizar” alguma canção de outra época ou estilo, invariavelmente cria uma versão melhor que a original.
Tenho consciência, no entanto, que sou uma exceção.  Após tanto tempo é natural que a bossa vá perdendo seu encanto ao falar de um Brasil (de novo, daquele “pouquinho” de Brasil) que já não existe mais.  A juventude não se identifica com câmeras Rolleiflex (ver imagem no início do texto), e os mais jovens nem entendem o duplo sentido na frase “revelou-se” sua enorme ingratidão, o “revelar” no sentido fotográfico é completamente alienígena para essa turma.
Parafraseando Alcione, conclamo, “Não deixe a bossa morrer”!!!  Mas para “convencer o “bossista mais novo a atender meu pedido final” é preciso dar uma certa modernizada nas letras (uma concessão razoável até porque o prato principal da bossa é a música; a letra, se bem cantada, não passa de um bom acompanhamento).
Surge então a “Bossa Contemporânea”, o movimento que prega a atualização da temática da bossa, mas a manutenção do banquinho e do violão (e somente os dois).
Abaixo três sugestões de releituras de clássicos, é a bossa contemporânea, a bossa.com:

Sem rede é Maldade (Chega de saudade)

Sento em minha mesa,

vejo na tela, o que? balela só pode ser

sem rede, que estresse

Ninguém merece

Tenho uns e-mails para ler

Sem rede é maldade

e a realidade é que sem ela

o que se faz por gentileza

A minha mesa de nada valia

Se nao há login , nao há login, nao há

Mas se ela voltar, se ela voltar

que coisa linda, que coisa louca

Pois uns torpedinhos preciso enviar

E quero ver quanto tá o jogo do Boca

Postarei um abraço

Pro Colaço que é sempre um amigaço

Lá no Linked in, no Linked in, no Linked in

Abraços, recadinhos, posto fotos e check in

Que é pra acabar com esse negócio de viver sem dar login

Não quero mais esse negócio de viver sem dar login

Não quero mais esse negócio de viver sem Linked in

xxxxxx

Carta ao Tom 2012 (Carta ao Tom 74)

Rua Nascimento Silva.net

Eu vou navegando na internet

Do computador não largo mais

Vendo as fotos de Paris, ai que saudade

As do teu Instagram, que qualidade

Quanta diferença um filtro faz

Lembro de quando um torpedo recebia

Um friozinho na barriga eu sentia

Torcendo que aquele fosse seu

Sinto uma angústia olhando pra essa tela

Em tua foto de capa estás tão bela

Chorando eu fecho o navegador

É meu amigo só resta uma certeza

Se é pra acabar com essa tristeza

Entre menos no “Face” por favor

xxxxxx

Garota sem tema (Garota de Ipanema)

Olha o perfil da menina

Que coisa sem graça

Que baita cretina

A impressão que ela passa

De bem sucedida me faz enjoar

Posta foto do babado

Depois um poema

Ruim pra danado nem lembro do tema

Dá uma de cult só pra impressionar

Ah, tem um blog bobinho

Ah, de real nada existe

Ah, deve ser muito triste

Fingir ter aquilo que não tinha

Se achar só porque é bonitinha

Ah, se ela soubesse

A impressão que ela passa

Já não cola mais e quem lê acha graça

Seria bem vindo

Se dar mais valor

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